Duna: Parte Dois: Denis Villeneuve entrega a ficção científica mais grandiosa da década

Sinopse: Após os acontecimentos do primeiro filme, Paul Atreides se junta aos Fremen no deserto de Arrakis ao lado da mãe, Jessica. Enquanto se aproxima de Chani e aprende os costumes do povo do deserto, Paul precisa lidar com profecias que o apontam como um possível salvador e com a ameaça crescente dos Harkonnen.
Se o primeiro Duna era uma longa e bela introdução, Parte Dois é o filme em que Denis Villeneuve finalmente deixa a história explodir. A escala continua monumental, os vermes de areia continuam assombrosos, mas o que realmente impressiona é a clareza com que o diretor entende o livro de Frank Herbert: esta não é a jornada de um herói, e sim a anatomia de como um herói se torna perigoso. Poucas superproduções recentes tiveram coragem de ser tão ambíguas, e menos ainda conseguiram ser tão espetaculares ao mesmo tempo.
Qual é a história de Duna: Parte Dois?
O roteiro de Villeneuve e Jon Spaihts retoma a trama exatamente de onde o primeiro filme parou. Paul e Jessica, sobreviventes da queda da Casa Atreides, são acolhidos pelos Fremen, e cada um encontra nesse povo um caminho diferente. Enquanto Paul tenta ser aceito como guerreiro, Jessica mergulha nas engrenagens religiosas que a ordem Bene Gesserit plantou em Arrakis há gerações. A narrativa, mais fluida que a da primeira parte, equilibra ação, romance e intriga política com notável segurança.
O grande acerto da adaptação está em tornar explícito aquilo que muitos leitores de Herbert deixaram passar: a profecia que move Paul é também uma armadilha, e a fé dos Fremen pode ser manipulada como qualquer arma. Chani, interpretada por Zendaya, ganha papel ampliado em relação ao livro e funciona como a consciência crítica do filme, aquela que enxerga perigo onde os outros veem milagre. É uma mudança que fortalece o tema e dá ao épico um centro emocional mais nítido.
Como são as atuações em Duna: Parte Dois?
Timothée Chalamet cresce visivelmente em relação ao primeiro filme. Seu Paul começa hesitante, quase juvenil diante do deserto, e vai acumulando uma gravidade inquietante, sem que a transição pareça abrupta. Zendaya, que no capítulo anterior era pouco mais que uma visão, tem agora um arco completo, e sua desconfiança silenciosa é uma das ferramentas narrativas mais eficientes do filme. Rebecca Ferguson, por sua vez, transforma Jessica em uma figura ambígua e perturbadora, longe da mãe protetora que conhecíamos.
Javier Bardem oferece um alívio inesperado: seu Stilgar, fervoroso até o limite do cômico, rende os poucos momentos de humor da obra e, ao mesmo tempo, encarna o perigo do fanatismo. Mas é Austin Butler quem rouba as cenas em que aparece. Como Feyd-Rautha, careca, de dentes escuros e movimentos de predador, o ator compõe um vilão genuinamente assustador, cuja apresentação numa arena em preto e branco está entre as sequências mais memoráveis do cinema de grande orçamento recente.
Como são a fotografia, os efeitos e a trilha de Duna: Parte Dois?
A fotografia de Greig Fraser mantém a paleta austera do primeiro filme, mas ganha mais variações: a luz dura do deserto, o laranja das tempestades, o preto e branco infravermelho de Giedi Prime. Villeneuve filma a escala como poucos, e a sequência em que Paul monta um verme de areia pela primeira vez é cinema de espetáculo em sua forma mais pura, com peso, som e perigo físico palpáveis. Os efeitos visuais, premiados com o Oscar, se integram aos cenários sem jamais chamar atenção para si.
Hans Zimmer volta com uma trilha ainda mais ousada, que mistura vozes, percussão e texturas eletrônicas com sensibilidade quase ritualística. Em alguns momentos, especialmente nas cenas românticas, a música soa insistente demais e pressiona o espectador. O desenho de som, também vencedor do Oscar, é um espetáculo à parte: os tambores que chamam os vermes, o ruído das naves e o silêncio do deserto criam um ambiente sensorial que justifica cada centavo pago por uma sala com boa projeção e áudio.
Vale a pena assistir Duna: Parte Dois?
Sem dúvida. Duna: Parte Dois é o raro caso de sequência que supera o original em quase todos os aspectos: é mais emocionante, mais clara, mais ousada e mais coerente com seus próprios temas. Para quem viu o primeiro filme, é a recompensa por aquela longa preparação. Para quem nunca se interessou por ficção científica, é uma porta de entrada impressionante, desde que se assista ao capítulo anterior antes, já que o filme não perde tempo recapitulando os acontecimentos.
As ressalvas são pontuais. A duração de quase três horas é bem administrada, mas a reta final acelera tanto que algumas viradas importantes ganham menos espaço do que mereciam, e personagens novos, como os vividos por Christopher Walken e Florence Pugh, têm pouco tempo para respirar. Ainda assim, poucos filmes de grande orçamento oferecem tanto: espetáculo visual, ambição temática e um alerta sobre messias e fanatismo que ressoa muito além das areias de Arrakis.
✔ Pontos positivos
- Escala visual e sonora monumental
- Austin Butler como um vilão inesquecível
- Adaptação que deixa claro o alerta de Herbert sobre messias
✖ Pontos negativos
- Reta final acelerada comprime viradas importantes
- Personagens novos com pouco espaço
Duna: Parte Dois é ficção científica em grande escala feita com inteligência e risco: um espetáculo que impressiona os olhos e inquieta a cabeça.
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Perguntas frequentes sobre Duna: Parte Dois
Precisa ver o primeiro Duna antes da Parte Dois?
É recomendado. A Parte Dois continua diretamente a história de Duna (2021) e não recapitula os acontecimentos do primeiro filme.
Qual é a duração de Duna: Parte Dois?
O filme tem 166 minutos, cerca de 2 horas e 46 minutos.
Duna: Parte Dois tem cena pós-créditos?
Não. O filme não tem cenas adicionais após os créditos.