Pôster de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo (2022)
Crítica OverFlix

Crítica: Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

2022 · 2h 19min · Ficção Científica, Comédia, Ação

Direção: Daniel Kwan e Daniel Scheinert

Elenco: Michelle Yeoh, Ke Huy Quan, Stephanie Hsu, Jamie Lee Curtis, James Hong

4,5de 5
Excelente

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo: o caos multiversal mais humano do cinema

Cena de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo
Cena de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo · Imagem: divulgação

Sinopse: Evelyn Wang, imigrante chinesa que administra uma lavanderia nos Estados Unidos, está afogada em dívidas, numa auditoria fiscal e num casamento desgastado. Em meio a esse caos, ela descobre que pode acessar versões de si mesma em outros universos e que talvez só ela consiga deter uma ameaça que atravessa todos eles.

Existe aqui um filme de artes marciais, uma ficção científica sobre multiverso, uma comédia absurda com salsichas no lugar dos dedos e um drama sobre mãe e filha. E existe a surpresa de descobrir que todos são o mesmo filme. Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo é exaustivo, barulhento e por vezes excessivo, mas é também uma das obras mais originais e sinceras do cinema americano recente. Os Daniels usam o caos como linguagem para falar de algo muito simples: a dificuldade de enxergar e amar quem está bem ao nosso lado.

Qual é a história de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo?

Evelyn é uma mulher sobrecarregada. Precisa entregar a papelada da lavanderia a uma auditora implacável, organizar uma festa enquanto cuida do pai idoso, lidar com o marido Waymond, que parece querer conversar sobre algo sério, e com a filha Joy, que tenta fazer a família aceitar a namorada. É um cotidiano de pequenas humilhações que o filme apresenta com ritmo frenético, câmera inquieta e diálogos que saltam entre o inglês, o mandarim e o cantonês.

É dentro de um prédio da receita federal americana, entre filas e formulários, que o enredo vira de cabeça para baixo. Uma versão alternativa de Waymond revela a Evelyn a existência de incontáveis universos paralelos e a convoca para uma missão. A partir daí, o roteiro abraça uma lógica de videogame: para acessar habilidades de outras versões de si, os personagens precisam realizar atos completamente absurdos. A regra é tão ridícula quanto genial e rende algumas das cenas mais criativas do filme.

Como funcionam a direção e o roteiro dos Daniels?

Daniel Kwan e Daniel Scheinert vêm do videoclipe, e isso se nota na montagem vertiginosa e na disposição de experimentar com formatos de tela, texturas e gêneros. Há passagens que homenageiam o cinema de ação de Hong Kong, outras que piscam para o romantismo de Wong Kar-wai e uma sequência inteira que dispensa diálogos e quase tudo o que reconhecemos como cinema e, ainda assim, se torna um dos momentos mais emocionantes da projeção. O orçamento é modesto para a ambição, mas a criatividade compensa cada limitação.

O roteiro, também da dupla, é dividido em três capítulos que dão título ao filme e ajudam a organizar o excesso. O risco é evidente: há momentos em que a avalanche de piadas escatológicas e referências cansa, e a segunda metade se alonga mais do que precisaria. Mas os diretores nunca perdem o fio emocional. Por trás do niilismo cósmico que ameaça os personagens, o texto defende com convicção a gentileza como forma de resistência, e é isso que o separa de tantos outros filmes de multiverso.

Michelle Yeoh e o elenco estão bem no filme?

Michelle Yeoh encontra aqui o papel de sua vida. A atriz, conhecida por décadas de filmes de ação, precisa ser uma dona de casa exausta, uma estrela de cinema, uma mestra de kung fu e dezenas de outras variações, às vezes no mesmo plano. O que impressiona é que todas parecem a mesma mulher, com o mesmo arrependimento de fundo e o mesmo cansaço no olhar. O trabalho foi reconhecido com o Oscar de melhor atriz, e é difícil discordar da escolha.

Ke Huy Quan, lembrado por muita gente como o garoto de Indiana Jones e o Templo da Perdição e de Os Goonies, volta às telas com uma atuação luminosa: seu Waymond é doce, desajeitado e, numa das versões, absolutamente elegante. Stephanie Hsu sustenta como Joy a dimensão mais dolorosa da história, Jamie Lee Curtis se diverte sem nenhuma vaidade como a auditora Deirdre e o veterano James Hong rouba cenas como o patriarca da família.

Vale a pena assistir Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo?

Vale, desde que se aceite o pacto. O filme exige disposição para o absurdo e paciência com uma duração que passa das duas horas, e não vai agradar a todos: quem tem pouca tolerância a humor escrachado ou a narrativas fragmentadas pode sair irritado. Para quem embarca, porém, a recompensa é rara: um blockbuster artesanal que provoca gargalhadas e lágrimas em proporções parecidas, embalado pela trilha eletrônica e orquestral do grupo Son Lux.

O reconhecimento veio em escala histórica, com sete Oscars, incluindo melhor filme e direção, algo incomum para uma produção independente da A24. Mais do que os prêmios, porém, fica a coragem de usar a ficção científica para falar de imigração, de expectativas familiares e de saúde mental sem didatismo. Recomendamos assistir com atenção redobrada e, se possível, rever depois: muitos detalhes do primeiro ato só ganham sentido completo numa segunda sessão.

✔ Pontos positivos

  • Atuação monumental de Michelle Yeoh
  • Criatividade visual e de montagem fora do comum
  • Coração emocional forte por trás do caos

✖ Pontos negativos

  • Excesso de piadas escatológicas em alguns trechos
  • Segunda metade mais longa do que o necessário
Veredito · 4,5/5

Um delírio maximalista que poderia ser só barulho, mas encontra no afeto familiar sua razão de existir. Imperfeito e inesquecível.

Quer assistir filmes como Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo?

Peça agora um teste grátis de IPTV pelo WhatsApp e assista filmes, séries e muito mais.

Pedir teste grátis

Perguntas frequentes sobre Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Quantos Oscars Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo ganhou?

Sete: melhor filme, direção, atriz (Michelle Yeoh), ator coadjuvante (Ke Huy Quan), atriz coadjuvante (Jamie Lee Curtis), roteiro original e montagem.

Quem dirigiu Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo?

A dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert, conhecida como Daniels, que também escreveu o roteiro.

Qual é a duração do filme?

Cerca de 2 horas e 19 minutos (139 minutos).

Críticas de ficção científica e afins

Ver todas →
Capa de Parasita

Parasita

5,0

2019 · Suspense, Drama

Capa de Duna: Parte Dois

Duna: Parte Dois

4,5

2024 · Ficção Científica, Aventura

Capa de A Substância

A Substância

4,0

2024 · Terror, Ficção Científica

Capa de Divertida Mente 2

Divertida Mente 2

4,0

2024 · Animação, Comédia

Teste grátis de IPTV